sexta-feira, 12 de setembro de 2008

SE FOR ASSALTADO... PARA O SEU BEM, NÃO APRESENTE QUEIXA...

Então, passemos aos fundamentos:

Fundamento 1
- Um indivíduo entrou numa esquadra de polícia, sacou de uma arma e disparou 5 tiros, 3 dos quais atingiram outro indivíduo com quem ele tivera um desaguizado momentos antes: uma agente - correndo grandes riscos - conseguiu deter o agressor já fora da esquadra, alguns metros mais adiante. Presente ao juiz - e pela letra da nova lei -,o criminoso ficou livre e apenas sujeito a termos de identidade com apresentações diárias na - caricatamente, imagine-se! - mesma esquadra onde se desenrolou toda a cena que os argumentistas do CSI vão decerto aproveitar para a série. Resultado: o atingido está entre a vida e a morte (mais para o lado da morte), e o agressor pode tomar café tranquilamente todos os dias, ir ao cinema (duvido que vá, mas pronto!) e ver as miúdas em Portimão, além, de outras coisas que só uma pessoa em liberdade pode fazer - SEM COMENTÁRIOS!

Fundamento 2 - Um jovem de 19 anos ocupou 7 carros de polícia e destruíu um deles numa perseguição por mais de 100 km nas estradas, ruas e ruelas dos concelhos de Moita, Montijo, Barreiro e Palmela. Nessa «corrida» ainda tentou atropelar pessoas nas passadeiras e alguns agentes da autoridade... o cenário nem ficava completo sem estes pormenores! Envolvido esteve o dinheiro de todos os contribuintes pois os agentes fizeram horas extraordinárias e os carros só andam se levarem gasóleo, entre outras coisas. Resultado: presente ao juiz - e pela letra da nova lei -, o jovem saíu em liberdade - SEM COMENTÁRIOS!

Fundamento 3 (este não veio nos jornais nem passou na TV): a proprietária de uma pastelaria foi asssaltada uma noite quando fechava a loja por um grupo de indivíduos e - mesmo não oferecendo resistência - foi agredida violentamente de tal modo que passou mais de uma semana no hospital. Quando regressou e apresentou queixa, os indivíduos acabaram por ser identificados e detidos... por pouco tempo, pois o juiz - com base na letra da nova lei - mandou-os em «paz». Resultado: os agressores já voltaram ao estabelecimento, ameaçaram a proprietária a tal ponto que ela teve que fechar a pastelaria por tempo indeterminado - SEM COMENTÁRIOS!

Fundamento 4 (também não veio nos jornais, acho eu!): uma papelaria, especializada em livros escolares, foi assaltada a horas «normais», tendo o assalto sido estendido a todos os clientes que se encontravam no estabelecimento na altura. Antes de se retirarem, os agressores deixaram bem claro que «ai daquele que fizer queixa!»... e parece que ninguém apresentou queixa! - SEM COMENTÁRIOS!

E muitos mais fundamentos poderiam ser acrescentados... este é o estado em que transformaram este país «à beira-crime plantado» e «de brandíssimos costumes». Nunca a máxima de «o crime compensa» se aplicou tão bem...

(as montagens dos «crimes» foram feitas pelo HENRIKOSSAUROS e pelo DUARTARANHA em exclusivo para o FUNDAMENTALIDADES - e não faltam as armas, os reféns e a mota à porta do Banco para os bandidos fugirem)


segunda-feira, 8 de setembro de 2008

DIA INTERNACIONAL DOS JORNALISTAS

Ninguém deu por isso mas hoje foi o «Dia Internacional dos Jornalistas»! Jornalistas que hoje já são seres «comuns», pessoas iguais a toda a gente - a única diferença que resta é que aparecem todos os dias na televisão e escrevem nos jornais... porque os deixam escrever e aparecer.

Em 1986 eu e um grupo de colegas visitámos os estúdios da RTP e assistimos em directo na régie à produção e à apresentação do telejornal, quando a televisão pública ainda emitia sem concorrência. O Carlos Fino era, então, o apresentador de serviço de um telejornal muito diferente daqueles que nós assistimos agora nos vários canais que, entretanto, apareceram.

... Hoje, alguns dos meus colegas que visitaram a RTP nesse dia são directores e editores de jornais, revistas, rádios e televisões. O jornalismo mudou muito e penso que os anos 90 foram mesmo a década de ouro do jornalismo - curiosamente, com a entrada do novo século, os interesses políticos e económicos voltaram a falar mais alto e hoje as televisões, em especial, voltam a seguir a agenda política dos governantes e afins... com algumas diferenças, é certo: hoje podem-se apresentar diversos pontos de vista e dantes não. Mas, na prática vai tudo dar no mesmo!

O que não mudou mesmo nada - ou se mudou foi para pior - é que (e vou revelar aqui) o jornalista não gosta nada, mas mesmo nada, nadinha, fica piurso, fulo, até se afasta de... quem lhe dá uma sugestão para um tema ou lhe revela algo que ele acha que deveria ter sido ele a descobrir... Se for amigo ou conhecido então ainda pior!

Por isso se algum dia tiverem uma boa ideia de um tema para sugerir a um jornalista, transmitam-na primeiro ao estafeta ou à senhora da limpeza e peçam-lhes que sejam eles a comunicar ao jornalista. E, sobretudo, nunca digam que foram vocês que tiveram a ideia porque aí - nem que o tema seja «o fim do mundo vai chegar amanhã» - o jornalista nunca pegará na sua sugestão... quer dizer, há excepções... a mim podem sugerir o que quiserem: agora não posso publicar num jornal ou revista, mas este blog é um espaço vosso também!!!

domingo, 7 de setembro de 2008

LIVROS ESCOLARES E REGRESSO ÀS AULAS


d) Garantir a todos os cidadãos, segundo as suas capacidades, o acesso aos graus mais elevados do ensino, da investigação científica e da criação artística;

e) Estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino;

Não acreditem no que está escrito aí em cima. São duas alíneas de um artigo da Constituição da República Portuguesa mas nunca foram cumpridas... Nem são para cumprir...

Em breve a Ministra da Educação virá à TV - rodeada pelos seus inúmeros «professores assessores» - dizer que o ano lectivo começou da melhor maneira... é claro que não vai referir-se aos milhares de professores que ficarão no desemprego, nem nos que ficarão colocados longe das famílias e, principalmente, não falará da desmotivação que grassa por entre a classe docente de há uns anos a esta parte. Verdadeiros heróis dos tempos modernos, os professores de todos os graus de ensino - mas em especial dos mais baixos - têm sido vítimas de uma falta de política coerente, consistente e consciente desde há 30 e poucos anos para cá.

Infelizmente o maior falhanço da democracia portuguesa deu-se na Educação, exactamente numa área onde não podia falhar. E, ao tentar resolver numa legislatura aquilo que nunca foi resolvido em 30 anos, é impossível que as reformas - claramente necessárias, evidentemente! - surtam os efeitos desejados pelo poder político: reconstruir uma casa sem a opinião e a participação de quem habita essa casa é tarefa impossível e, sobretudo, injusta!

Antigamente os professores eram respeitados, quase venerados, hoje os professores são vilipendiados, insultados, humilhados, ameaçados, desmotivados... e parece que pouco ou nada vai mudar nos próximos tempos. Será que nos últimos 30 anos ninguém percebeu que era na Educação que residia o futuro de um povo? É que - não é difícil de perceber isso! - cidadãos mais cultos são também - em princípio - cidadãos mais atentos, mais conscientes, mais informados, mais inteligentes!

Há que reconhecer, contudo, que algumas coisas mudaram para melhor nos últimos anos, mas penso que era possível terem mudado muito mais coisas: o investimento nas crianças, no seu conforto, na sua segurança, na sua motivação e no seu interesse nunca será demais!

Quanto ao ensino gratuito, desculpem lá senhores políticos, mas não estamos no Carnaval nem no Dia das Mentiras...

Eu já paguei parte da factura (como se vê pela foto)... outras facturas virão já, já a seguir... é que é já a seguir!!!

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

AS ELEIÇÕES EM ANGOLA E A SUA INFLUÊNCIA EM PORTUGAL!

Sobre Angola lembro-me de - na escola primária - ter que aprender o nome das cidades, das províncias, dos rios, das linhas férreas... depois lembro-me de uma publicação onde vinha uma fotografia de um tio meu - felizmente ainda vivo, mas com traumas da guerra - a acender um cigarro vestido com fato da tropa. Nessa publicação vinha uma extensa lista de nomes, os quais a minha mãe disse serem soldados que tinham morrido na guerra de Angola...

Um dia - nos anos 60 - um soldado que tinha sobrevivido à guerra de Angola pediu às mulheres que estavam às varandas a conversar (as mulheres nessa altura estavam quase todas em casa) se alguma delas tinha tranças que lhe pudessem dar para ele pagar a promessa de que regressaria vivo da guerra... uma das mulheres foi buscar umas tranças grossas e compridas que guardava há mais de 10 anos e deu-lhas... essa mulher era a minha mãe - até hoje nunca percebi a coragem que ela teve em dar o seu cabelo a um desconhecido... mais tarde, ouvi-a chorar muito, deveria ter sido por isso!

Lembro-me ainda de ouvir o meu pai e o meu avô combinarem qualquer coisa como «o que fariam comigo daí a uns anos...» para me livrarem da guerra! Entretanto, Salazar morreu, ouvi gritar «Angola é nossa», houve uma qualquer crise do petróleo em 1973, Angola cresceu nesse ano 25%, e no ano seguinte continuou a falar-se de Angola mas por outros motivos...

Em 1976 vieram morar para a casa ao lado da dos meus pais um casal vindo de Angola: tinham fugido de Cabinda, ele era - e é, ainda lá estão! - branco, ela mulata. Na escola, por esses anos, muitos colegas meus eram oriundos das antigas colónias de Portugal e em Setembro de 1978 conheci um grupo de pessoas «retornadas» do melhor que havia na altura.

Entretanto, a guerra continuou em Angola com contornos muito mais dramáticos que os da guerra colonial. Em 1992 «houve» as primeiras eleições que acabaram numa carnificina difícil de descrever e compreender. De 1998 a 2007 trabalhei com um «angolano» que me ensinou muita da filosofia que está na base daquele país. Já no novo século o filho de 14 anos de uma colega minha foi assassinado quando o pai o levou para uma caçada no meio da selva... alguns meses depois, Savimbi era capturado e assassinado... a paz - ou um pedacinho de paz - chegou a Angola e, como se previa, o país começou a crescer economicamente a um ritmo que fará de Angola, com certeza, nos próximos anos um dos países mais poderosos de África...

... E com a colaboração dos portugueses: há uma cumplicidade entre Portugal e Angola que nem as más políticas e os maus políticos poderão apagar... Veja-se só como se festejam em Angola os desempenhos da Selecção portuguesa de futebol e dos principais clubes, em especial o Benfica e o FCPorto (de quem Eduardo dos Santos é acérrimo adepto).

Força, Angola! Que as eleições de hoje sejam só mais um passo no caminho da grandeza e da ... PAZ!!!




segunda-feira, 1 de setembro de 2008

VOLTEI AO CINEMA... UM ANO E 45 DIAS DEPOIS!

Fiz as pazes com o cinema! Um ano e 45 dias depois de ter ido ao cinema pela última vez: na altura fui ver um filme que mudaria a minha vida radicalmente. Não pelo enredo, não pelos actores (tinha uma Michelle Pfeiffer vulgaríssima) mas porque há coisas que acontecem quando menos se espera.

Pois bem, depois desse filme prometi a mim próprio que nunca mais voltaria ao cinema... a vacina durou o tal ano e pouco que referi... mas este era um filme completamente diferente - de aventuras - os acompanhantes diferentes e o objectivo de ir ao cinema... diferente! A única coincidência é que ambos tinham por protagonistas loiras: Pfeiffer no outro, Anita Briem neste!

Pronto, agora que já falei de coisas pessoais vou falar um pouco do filme: nada de especial, um filme para não ficar na história, de consumo imediato, para fazer muito dinheiro em pouquíssimo tempo (um orçamento minúsculo de 45 milhões de dólares para receitas estrondosas, com certeza), e é pena pois ter como base uma história de Julio Verne deveria ser motivo suficiente para uma aposta dos produtores. Mas não: o filme tem apenas três protagonistas (um deles, o mesmo da «Múmia», Brendan Fraser, os outros desconhecidos), muitos efeitos especiais mas cenas pouco ou nada trabalhadas, ao jeito dos «Indiana Jones», mas muito mais fracas.

Um filme perfeito para fim de férias, até porque a maioria dos assistentes eram jovens cheios de vícios de ócio... e carregados de pipocas!

E vocês, têm ido ao cinema ou
tiraram férias do grande ecrã agora no Verão?


quinta-feira, 28 de agosto de 2008

CRIMINALIDADE VIOLENTA EM PORTUGAL JÁ ERA PREVISÍVEL HÁ MUITO!

Quando, há poucos dias, aconteceu algo inédito na televisão portuguesa, que foi uma morte em directo - por acaso de um criminoso, mas podia ter acabado de outra maneira! - pensei que a lição e o mediatismo da acção servissem de exemplo para outros criminosos moderarem a sua forma de agir... mas depois lembrei-me que os criminosos não vêem televisão... e o resultado disso é que os crimes violentos aumentaram de uma maneira exponencial nos dias seguintes e... ainda não diminuíram!

Numa estatística muito informal que fiz, constatei que apenas a medalha de ouro de Nelson Évora nos JO interrompeu o tema de abertura dos telejornais: nos outros dias, e de há 3 semanas para cá, de uma maneira ou de outra, foi sempre o crime violento que apareceu como principal notícia do dia. Acima destas coisas, os políticos deste país não pareceram muito preocupados com a escalada da violência, e muito menos interromperam as suas merecidíssimas férias para virem tratar de um assunto que apenas diz respeito ao povinho... até conseguem justificar a violência com o facto de nos outros países ser pior... portanto, não se passa nada de anormal: a morte de uma criança num carro utilizado num assalto, a morte de um ourives no seu local de trabalho, o rebentamento de uma carrinha de valores, os roubos das caixas multibanco dentro dos tribunais - aqui, o caricato da situação ainda é maior, parece gozo! - o importado carjacking, os assaltos diários a bancos e ctts, muitas vezes com reféns... bom, nada de especial, está tudo bem...

... Está tudo bem para quem assiste ao desenrolar dos acontecimentos sentado no seu sofá em frente ao televisor... porque isto dos crimes e das mortes violentas só atinge mesmo o próprio e as famílias das vítimas... o pior é que cada vez mais a roleta-russa pode calhar a qualquer um de nós!

Esta onda de crimes violentos em Portugal era mais do que previsível! O crime organizado descobriu em Portugal um paraíso para as sua práticas: fronteiras escancaradas, brandíssimos costumes - agora ainda mais brandos para os prevaricadores com as novas leis penais! -, uma justiça ao sabor do vento (um violador reincidente ficou esta semana sujeito a termo de identidade, uma mulher que roubou um telemóvel ficou em prisão preventiva!!!), um desinvestimento na segurança, vão conduzir Portugal a um estado de qualquer coisa menos de direito - embora haja quem advogue que toda esta situação acaba por dar que fazer a uma série de gente e empresas: advogados, seguradoras, empresas privadas de segurança... num país onde muitas vezes até parece que o malfeitor é quem trabalha e que a vítima não tinha nada que estar no local do crime...

Sabiam que se uma pessoa chegar às urgências de um hospital como vítima de um crime tem que preencher uma série de papéis e burocracias - se, entretanto, morrer já não precisa preencher nada, outros preencherão por ele... por isso, se um dia forem vítimas de assalto e precisarem de ir ao hospital digam que sofreram um acidente - isto é a sério!


segunda-feira, 25 de agosto de 2008

CHIADO - 20 ANOS DEPOIS DO INCÊNDIO!


Rua Nova do Almada, 2008

Passei no Chiado no dia anterior ao incêndio - como sempre fazia - e ontem, precisamente 20 anos depois voltei ao mesmo local, mas desta vez munido de máquina fotográfica e da minha nova lente «olho de peixe», que distorce as imagens - como vêem - mas dá uma panorâmica curiosa.

O Chiado anterior era mais intimista, este Chiado é mais modernista, está repleto de turistas e gente bonita, é com certeza o local mais «europeu» de Lisboa, uma cidade a precisar urgentemente de vários Chiados... mas que não tenham um incêndio como ponto de partida!

Rua do Carmo, 2008

Rua Garrett, 2008

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

JOGOS OLÍMPICOS DE PEQUIM E PERSONALIDADE DOS PORTUGUESES!

Impressionante a influência que a medalha de ouro de Nelson Évora tem nos mais novos: pelas praias do país é costume ver crianças a «ensaiarem» os seus primeiros saltos em comprimento... e é assim que se começa!


Sobre a participação dos atletas portugueses nos Jogos Olímpicos de Pequim tenho uma análise diferente daquela que tem sido divulgada pela Comunicação Social e assumida por muita gente. Para mim - e no geral - os atletas portugueses presentes em Pequim cumpriram e alguns até excederam aquilo que deles se esperava - houve 3 ou 4 decepções, é certo, que por acaso coincidiram com aqueles atletas de quem se esperava mais. E acuso a Comunicação Social de ser a principal responsável pela polémica e o desânimo que se instalou entre os portugueses, lá na China e aqui em Portugal.

E isto porque a Comunicação Social - em especial jornais desportivos e televisões - só se «lembra» destes atletas de 4 em 4 anos, quando há Jogos Olímpicos. Nesse interregno os atletas das modalidades ditas amadoras são completamente ignorados por uma Comunicação Social rendida apenas ao futebol... do dinheiro! Se se fizesse uma sondagem, ficaríamos a saber que a maioria dos portugueses nunca teria ouvido falar de 90% dos atletas portugueses presentes em Pequim.

A Comunicação Social portuguesa aproveitou de uma maneira vergonhosa o desaire e os desabafos «a quente» de alguns atletas portugueses nos Jogos Olímpicos de Pequim. E foi especialmente a Comunicação Social que ampliou esse desânimo quando deveria ter feito precisamente o contrário de modo a motivar os portugueses que ainda estavam em prova. O pior exemplo veio, inclusive, do próprio Presidente do Comité Olímpico Português, Vicente Moura, que se «demitiu» para depois - quando Nelson Évora ganhou a medalha de ouro - dar o dito por não dito e dizer que afinal pretende continuar em funções. Haja dignidade nestes actos públicos.

Por outro lado, e embora não seja psicólogo, entendo que a maioria dos falhanços dos atletas portugueses mais consagrados - e não só - teve muito a ver com as características da personalidade dos portugueses: a maioria destes atletas chega a uma competição deste género completamente desamparado em termos psicológicos. Em Portugal não há um trabalho de motivação para atletas de alta competição. Dá-se-lhes algumas oportunidades de atingirem os «mínimos» para estarem nestas competições e depois são «abandonados» ao desenrascanço... aliás, talvez a principal característica da personalidade das gentes portuguesas! E ao desenrascarem-se às vezes lá vão ganhando alguma coisa!

E quanto ao alheamento de políticos e governantes - e aproveitamento nas «vitórias» dos atletas - sé vem provar a falta de respeito destes senhores por quem contribui mais para a divulgação de Portugal que todos os políticos juntos!



segunda-feira, 18 de agosto de 2008

DE LISBOA A FARO... UMA IDA (desta vez) COM VOLTA!


Fui pouquíssimas vezes ao Algarve, e a maior parte delas em trabalho. A Faro tinha ido apenas uma vez... e já há 27 anos! Na altura fiquei com uma má impressão da capital do Algarve, e surgiu agora a oportunidade de lá voltar e, quiçá, modificar essa impressão:

A saída foi do Pragal, em Almada, num dos Intercidades que todos os dias ligam Lisboa ao sul por comboio. E logo à partida começou a «dança» das cadeiras - pessoas que têm o mesmo número de cadeira mas em carruagens diferentes. Eu ainda corri o risco de ser desalojado do meu lugar por uma inglesa bonita mas quem estava certo era eu... ainda se ela viesse sozinha, mas vinha com o namorado, fosse lá para a 2.ª classe... No entanto, ainda apanhei uma senhora a ser impelida pelo revisor a mudar de carruagem.


Depois de Setúbal o comboio rola até Alcácer com o rio Sado como fundo, bordejado pelos campos verdes de arroz e abençoado pelas cegonhas.




Mais para sul surgem problemas «graves» com as redes de telemóvel: os jovens desesperam, quase colocam os aparelhos no tecto a ver se «apanham» qualquer coisa... como a miúda na foto com as unhas pintadas com bolinhas de várias cores!


As paisagens alentejana e algarvia em grande parte confundem-se: aqui o caminho da direita é Alentejo, o da esquerda Algarve. Agora descubram as diferenças...

O cruzamento de comboios - porque o trajecto é de via única - é um martírio e é aqui que residem os atrasos mais acentuados: de qualquer forma ir de Lisboa ao Algarve em pouco mais de três horas é hoje um privilégio - com a vantagem que se pode ler, dormir, ouvir música com os fones, ir à WC ou meter conversa com a vizinha do lado...

E finalmente a capital algarvia! O tempo e as poucas voltas que dei em Faro não foram suficientes para eu alterar a má impressão com que fiquei da cidade no princípio dos anos 80 por isso só tenho uma solução: voltar lá um dia destes! Alguém quer vir comigo?

CARLOS PAIÃO... 20 ANOS DEPOIS!

Parece que nem as rádios, nem as televisões nem os jornais se lembraram dos 20 anos da morte do Carlos Paião. É o país que temos, tudo o que vem de fora é bom e é lembrado e relembrado; o que vem de dentro - e ainda para mais relacionado com música portuguesa - é uma «chatice»!