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terça-feira, 24 de abril de 2007

SE BEM ME LEMBRO, HÁ 33 ANOS FOI ASSIM...

Lembro-me do dia 25 de Abril de 1974. Entrava na escola às 8.30 h, tomava sempre o pequeno-almoço com a minha mãe e não perdia o noticiário das 8 num pequeno rádio de pilhas (os célebres transístores), penso que na então Emissora Nacional (hoje Antena 1). Nessa manhã em vez das notícias só se ouvia música tipo marchas militares. Eu e a minha mãe pensámos que seria uma avaria qualquer e não ligámos!

A minha irmã mais velha (a mais nova ainda nem tinha 2 anos) já tinha saído para a escola com as colegas, e eu fui sozinho, como era habitual. Mas logo encontrava colegas e amigos meus. A primeira aula foi a de Matemática - a do tal professor que nunca mudara o fato preto que trazia vestido desde o início do ano lectivo - e o professor estava muito nervoso. Andava de um lado para o outro na sala e dizia que o Terreiro do Paço em Lisboa estava cheio de tanques e militares. Para nós, isso pouco ou nenhum significado tinha - estávamos mais preocupados com as notas abaixo de zero que o professor costumava dar nos pontos - resta acrescentar que o professor de Matemática nunca mais apareceu desde esse dia...

Mas nesse dia nem a aula terminou. Alguém foi à sala e disse para sairmos todos da escola que não haveria mais aulas. Ficámos eufóricos, saímos a correr e encontrámos cá fora muitas mães, inclusive a minha - poucas mulheres naquela altura trabalhavam fora de casa -, que nos explicaram que tinham havido qualquer coisa, um golpe militar ou coisa assim...

Foi bom porque na programação da televisão na hora de almoço passaram a série «Viver no Campo» com Eva Gábor, que já não transmitiam há muito tempo. Na rádio entretanto transmitiam comunicados referindo que as rádios e as televisões tinham sido ocupadas por militares e que o governo de Marcelo Caetano estava retido num quartel em Lisboa. Aconselhavam as pessoas a ficarem em casa mas parece que muita gente não acatava essa ordem.

Não conseguíamos contactar com o meu pai - não se esqueçam que não havia telemóveis na altura - mas afinal ele veio um bocadinho mais cedo para casa. À noite na televisão apareceram uns militares graduados. O meu pai ainda foi ao meu avô e ouvi-os comentarem qualquer coisa como «era previsível» ou «já aconteceu». Pela conversa das pessoas reinava a alegria e parece que se tratava de uma coisa boa.

Nessa noite choveu e uma das minhas grandes preocupações foi para com os militares que estavam alojados perto do Cristo-Rei em Almada: pensava eu que a chuva iria demover os militares e que tudo iria acabar mal... só uns anos mais tarde é que descobri que «chuva civil não molha militares», hehehe...

(Este texto foi retirado e adaptado de um diário que eu escrevia na altura. As fotos foram feitas por mim hoje e a música é o Paulo de Carvalho em «E depois do Adeus»)

Mas se querem saber tudo sobre o 25 de Abril sugiro uma visita ao blog da PEKENA (clicar) que, e apesar de muito jovem, conseguiu transcrever aquilo que foi o 25 de Abril e tudo o que representou e representa. Vão lá ver... e ler!!!