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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

JOGOS OLÍMPICOS DE PEQUIM E PERSONALIDADE DOS PORTUGUESES!

Impressionante a influência que a medalha de ouro de Nelson Évora tem nos mais novos: pelas praias do país é costume ver crianças a «ensaiarem» os seus primeiros saltos em comprimento... e é assim que se começa!


Sobre a participação dos atletas portugueses nos Jogos Olímpicos de Pequim tenho uma análise diferente daquela que tem sido divulgada pela Comunicação Social e assumida por muita gente. Para mim - e no geral - os atletas portugueses presentes em Pequim cumpriram e alguns até excederam aquilo que deles se esperava - houve 3 ou 4 decepções, é certo, que por acaso coincidiram com aqueles atletas de quem se esperava mais. E acuso a Comunicação Social de ser a principal responsável pela polémica e o desânimo que se instalou entre os portugueses, lá na China e aqui em Portugal.

E isto porque a Comunicação Social - em especial jornais desportivos e televisões - só se «lembra» destes atletas de 4 em 4 anos, quando há Jogos Olímpicos. Nesse interregno os atletas das modalidades ditas amadoras são completamente ignorados por uma Comunicação Social rendida apenas ao futebol... do dinheiro! Se se fizesse uma sondagem, ficaríamos a saber que a maioria dos portugueses nunca teria ouvido falar de 90% dos atletas portugueses presentes em Pequim.

A Comunicação Social portuguesa aproveitou de uma maneira vergonhosa o desaire e os desabafos «a quente» de alguns atletas portugueses nos Jogos Olímpicos de Pequim. E foi especialmente a Comunicação Social que ampliou esse desânimo quando deveria ter feito precisamente o contrário de modo a motivar os portugueses que ainda estavam em prova. O pior exemplo veio, inclusive, do próprio Presidente do Comité Olímpico Português, Vicente Moura, que se «demitiu» para depois - quando Nelson Évora ganhou a medalha de ouro - dar o dito por não dito e dizer que afinal pretende continuar em funções. Haja dignidade nestes actos públicos.

Por outro lado, e embora não seja psicólogo, entendo que a maioria dos falhanços dos atletas portugueses mais consagrados - e não só - teve muito a ver com as características da personalidade dos portugueses: a maioria destes atletas chega a uma competição deste género completamente desamparado em termos psicológicos. Em Portugal não há um trabalho de motivação para atletas de alta competição. Dá-se-lhes algumas oportunidades de atingirem os «mínimos» para estarem nestas competições e depois são «abandonados» ao desenrascanço... aliás, talvez a principal característica da personalidade das gentes portuguesas! E ao desenrascarem-se às vezes lá vão ganhando alguma coisa!

E quanto ao alheamento de políticos e governantes - e aproveitamento nas «vitórias» dos atletas - sé vem provar a falta de respeito destes senhores por quem contribui mais para a divulgação de Portugal que todos os políticos juntos!