
A fórmula esgotou-se! O EUROFESTIVAL mudou-se de armas e bagagens para os países do leste da Europa. O sistema de votação (embora agora seja o público a votar) iniciado há 33 anos - quando os ABBA ganharam - revela-se agora imperfeito porque favorece os laços de vizinhança e países que têm muitos emigrantes nos países da Europa Ocidental. A euforia que se vivia nos anos 60 e 70 com o Eurofestival nos países ocidentais vive-se agora nos países de leste.
Com o evento de ontem atingiu-se aquilo por que se esperava há alguns anos: as canções representantes de muitos países ocidentais nem sequer passaram à final, e as que passaram ficaram-se pela 2.ª metade da tabela, com Inglaterra, França e Irlanda a ocuparem os últimos lugares com pouquíssimos pontos, em especial a Irlanda, o país com mais vitórias na história dos Eurofestivais.
Não sei qual será o futuro deste tipo de concurso! Sei que em tempos por lá passaram alguns dos grandes grupos e intérpretes a nível europeu e até mundial, como os Shadows, os Abba, Cliff Richard. Já lá vai o tempo em que Portugal parava para ver o Eurofestival na televisão - bom, na verdade, também não havia grandes acontecimentos musicais na altura... Desta vez até arrisco dizer que houve algumas boas canções e, pelo que se viu, o Festival da Eurovisão tem o futuro assegurado... apenas sinto falta de mais canções em língua francesa, italiana, espanhola... aliás, a organização pôs todos os intervenientes a cantar em inglês, o que não valeu de nada à Inglaterra e à Irlanda, que ocuparam os últimos lugares. Quanto a Portugal, nem a inspiração de Emanuel valeu um lugarzito entre os 24 mais... para o ano há mais... se calhar!!!
(Para mim a melhor canção de sempre dos Eurofestivais foi «Let me be the one» dos Shadows, 2.º lugar em 1975)