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sábado, 9 de junho de 2007

A HISTÓRIA DO BERNARDO... O PATINHO FEIO DA TURMA!

O Bernardo foi meu colega de turma no 10.º e 11.º anos em Almada, uma turma de futuros famosos: alguns tornaram-se médicos conhecidos, outros engenheiros e havia um que se chamava Tim, tocava guitarra eléctrica e... viria a ser o vocalista dos Xutos e Pontapés!

Nunca estive muito próximo do Bernardo, mas reconhecia nele uma boa pessoa, um paz d'alma. Talvez por isso ele era a vítima de um grupo masculino dentro da própria turma: faziam-lhe tudo de mal, desde roubarem-lhe dinheiro, riscarem-lhe a roupa com canetas, cortarem-lhe pedaços de cabelo, estropiarem-lhe os livros... até lhe queimarem os cadernos de apontamentos nos intervalos das aulas em plena polivalente.

O Bernardo era achincalhado e humilhado quase todos os dias em frente aos restantes colegas. Curiosamente ele não se revoltava, nem se queixava, apenas pedia em voz baixa para não lhe «fazerem isso»... afinal ele fazia parte do grupo que o maltratava. E eu nunca percebi porquê! Talvez pela necessidade de pertença, não sei! Também nunca mais o vi desde que as aulas acabaram! Nem me lembro do apelido dele... talvez seja médico - ele era bom aluno - ou engenheiro...

A história do Bernardo vem a propósito do despropósito que tem sido uma «praxe» (praxe só de nome, chamar-lhe-ia violência gratuita!) que tem sido praticada há vários anos numa escola secundária de Vila Nova de Poiares, com a conivência de professores, pais e demais responsáveis. A prática foi divulgada recentemente na comunicação social e consiste em atirar os mais infortunados contra um poste, com as pernas abertas. E eu que pensava que já tinha visto tudo!!! Algumas crianças têm saído gravemente feridas dessa «brincadeira» e a Directora do Agrupamento Escolar respectivo ainda vem dizer que é uma prática tradicional... Valeu o Presidente da respectiva Câmara Municipal, Jaime Soares, intervir para apurar «responsabilidades até às últimas consequências»!

sexta-feira, 18 de maio de 2007

PRAXES ACADÉMICAS, «TRADIÇÕES» E VIOLÊNCIA!!!














Um aluno da Universidade de Coimbra foi gravemente ferido - num local do corpo pouco recomendável, e por sinal muito sensível! - quando estava a ser «preparado» para as praxes da Queima das Fitas. Os «agressores» foram alunos dos últimos anos - imagine-se! - do curso de Medicina. O que é que o corte dos pêlos púbicos contribui para a «sabedoria» e o «conhecimento», pergunto eu?

Lembro-me de um professor meu de Português contar sobre as praxes praticadas na altura em que ele foi aluno em Coimbra: histórias com tradição, algumas até com sentido e humor. Agora não: as praxes académicas multiplicaram-se por todo o lado , mesmo em instituições sem tradição nessas coisas, e muito especialmente em estabelecimentos de ensino privado - é chique e está na moda praxar... e ser praxado! E com essas atitudes têm-se cometido as maiores atrocidades em nome do nada, e violam-se psicologicamente alunos - quando não é fisicamente!

Todos os anos são divulgados casos de violência psicológica e física nas praxes académicas. Acredito que a maior parte dos atentados à dignidade dos alunos nem venha a lume, pois muitos deles preferem sofrer calados as humilhações a que são sujeitos, por vergonha que os pais saibam e por receio que ainda sejam mais «agredidos». Outros - muito poucos - denunciam os factos, a comunicação social divulga-os, mas os culpados nunca são atingidos.

Na faculdade onde andei as praxes eram contidas, talvez por a maioria dos alunos serem mulheres, não eram violentas mas também não tinham piada nenhuma. Como eu era contra estas coisas, ocupava-me a «salvar» os caloiros aterrorizados, dando-lhes «protecção», ou fazendo-os sair por outras portas. A maior parte agradecia-me até que houve uma aluna que - dias depois de eu a ter «salvo» - insultou-me e não agrediu porque não calhou! Porquê? Alegou ela que eu a «impedi» de gozar e de passar por um momento único, que era a praxe. A partir daí nunca mais pus ninguém cá fora.

Se fiz bem ou não, não sei, a verdade é que ainda hoje há uma pessoa que me agradece o «salvamento» e que continua a chamar-me «padrinho»!