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terça-feira, 17 de junho de 2008

A PROPÓSITO DO RAPTO DE BÉBÉS!

Por absurdo que pareça, quando ouço uma notícia como a do rapto de um bébé - e no Hospital de Penafiel já é o segundo rapto no espaço de dois anos - a primeira sensação que tenho é de compaixão pelo raptor (a). E penso que é a mesma sensação de muita gente!

E isto porquê? Porque sendo a dádiva primeira da Humanidade, ter um filho está «interdito» a muitas mulheres (e homens), e o desejo de o ter leva as pessoas a cometer os actos mais ousados e impensáveis!

Ter um filho é - com certeza - o mais importante da Vida! Para uma mulher ainda mais, por motivos fisiológicos e
psicológicos! Para muitas é mesmo quase o seu projecto de vida, e quantas vezes «avançam» sozinhas, sabendo à partida que o pai do filho não as acompanhará. Admiro muito estas mulheres e tenho muito respeito por elas. Invejo-lhes a coragem! Conheço até mulheres que «fizeram» todo o percurso da gravidez mesmo não tendo nenhum ser dentro do seu corpo, tal a vontade de serem mães!

Outro absurdo é o facto de haver mulheres saudáveis que podem ter filhos, que gostariam de ter filhos... e não os têm! «Defendem-se» com a carreira, com a independência, com a falta de tempo, com a falta de condições... e vão adiando essa dádiva até - e aqui fala a parte fisiológica de que ninguém tem culpa - ser tarde demais, tanto no possível risco para a criança como para a mãe - embora, como se saiba, há mulheres a terem filhos cada vez mais tarde, em perfeitas condições de saúde.

São mulheres que muitas vezes até querem ter filhos - e quantas vezes mais que um - mas que se escudam nas dificuldades ou no pouco apoio dos companheiros (também é verdade, e levaria a outra conversa!) e assim vão alimentando a indústria dos anticoncepcionais e dos preservativos, e quantas vezes abdicando do seu próprio corpo e do prazer que dele poderiam tirar, abstendo-se de contactos sexuais, ou transformando-os mais em actos formais do que sexuais.

Gosto muito de ver uma grávida - e de há umas semanas para cá parece que apareceram imensas - e mais ainda os bébés que olham para mim com aqueles olhos curiosos e intrigantes quando passeiam nos centros comerciais com os pais. Já contribui duas vezes para que o mundo não acabe mas também já decidi que esta minha contribuição não basta pelo que provavelmente não me ficarei por aqui.

A vida não está fácil, e muito menos para trazer um novo ser ao mundo, mas não será essa a nossa principal missão???

quarta-feira, 11 de julho de 2007

TER FILHOS EM PORTUGAL É UM ACTO DE MASOQUISMO

No Dia Mundial da População ficámos a saber que o ano de 2006 bateu o recorde de menor número de nascimentos em Portugal desde que há estatísticas... E por este andar o recorde voltará a ser batido este ano!

O ritmo de envelhecimento da população portuguesa é negativamente impressionante: esta faixa etária que hoje constitui 1/6 da população passará a constituir 1/4 daqui a 20 anos, com a agravante que o índice de dependência dos idosos aumentou muito nas duas últimas décadas.

Sabendo-se que as crianças são o motor económico de qualquer sociedade - elas são as maiores consumidoras e as que podem garantir que o nível de vida num futuro a médio prazo se mantenha pelo menos idêntico ao actual - o que têm feito os Governos nos últimos anos para inverter essa tendência? NADA! Ou melhor, o Governo actual até conseguiu suprimir os míseros euros do subsídio de nascimento e aleitação!

MAIS IMIGRANTES OU MAIS BÉBÉS?

Pelas previsões a população de Portugal até vai crescer um pouco nos próximos anos. Mas não é em número de bébés, mas sim em número de adultos, pois a imigração vai continuar a aumentar na proporção inversa ao número de nascimentos!

Mas porque razão as pessoas não têm filhos, ou não têm mais filhos? Na minha opinião, ainda nem todos os portugueses são masoquistas, pois ter um filho hoje em Portugal é um verdadeiro acto de masoquismo («um acto de heroísmo» na opinião do Presidente da Assoc. Port. de Demografia): os casais têm cada vez menos condições económicas, sociais e culturais, o desemprego aumenta a olhos vistos, os empregos são cada vez mais precários, os infantários são pagos a peso de ouro, o Ensino não se endireita, a Saúde pública está em fase terminal, as pessoas cada vez trabalham mais longe do local onde residem por causa da deslocalização das empresas e não têm tempo para darem apoio nem para estarem com os filhos...

É preciso mais algum argumento? Acho que não, mas ainda poderia referir a desertificação do interior do país com a perda dos imprescindíveis laços familiares, a falta de uma identidade de muitas das pessoas que vão viver para as cidades grandes, e outras razões que com certeza alguns de vocês vão dar nos comentários com o fim de enriquecerem este post com as vossas opiniões...

(A tocar «Menino de Oiro» no Fado de Coimbra de Fernando Machado Soares. Outra versão muito antiga na voz de José Afonso também está disponível à direita: para ouvirem esta carreguem na pausa da 1.ª e depois no play da 2.ª)