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quarta-feira, 11 de julho de 2007

TER FILHOS EM PORTUGAL É UM ACTO DE MASOQUISMO

No Dia Mundial da População ficámos a saber que o ano de 2006 bateu o recorde de menor número de nascimentos em Portugal desde que há estatísticas... E por este andar o recorde voltará a ser batido este ano!

O ritmo de envelhecimento da população portuguesa é negativamente impressionante: esta faixa etária que hoje constitui 1/6 da população passará a constituir 1/4 daqui a 20 anos, com a agravante que o índice de dependência dos idosos aumentou muito nas duas últimas décadas.

Sabendo-se que as crianças são o motor económico de qualquer sociedade - elas são as maiores consumidoras e as que podem garantir que o nível de vida num futuro a médio prazo se mantenha pelo menos idêntico ao actual - o que têm feito os Governos nos últimos anos para inverter essa tendência? NADA! Ou melhor, o Governo actual até conseguiu suprimir os míseros euros do subsídio de nascimento e aleitação!

MAIS IMIGRANTES OU MAIS BÉBÉS?

Pelas previsões a população de Portugal até vai crescer um pouco nos próximos anos. Mas não é em número de bébés, mas sim em número de adultos, pois a imigração vai continuar a aumentar na proporção inversa ao número de nascimentos!

Mas porque razão as pessoas não têm filhos, ou não têm mais filhos? Na minha opinião, ainda nem todos os portugueses são masoquistas, pois ter um filho hoje em Portugal é um verdadeiro acto de masoquismo («um acto de heroísmo» na opinião do Presidente da Assoc. Port. de Demografia): os casais têm cada vez menos condições económicas, sociais e culturais, o desemprego aumenta a olhos vistos, os empregos são cada vez mais precários, os infantários são pagos a peso de ouro, o Ensino não se endireita, a Saúde pública está em fase terminal, as pessoas cada vez trabalham mais longe do local onde residem por causa da deslocalização das empresas e não têm tempo para darem apoio nem para estarem com os filhos...

É preciso mais algum argumento? Acho que não, mas ainda poderia referir a desertificação do interior do país com a perda dos imprescindíveis laços familiares, a falta de uma identidade de muitas das pessoas que vão viver para as cidades grandes, e outras razões que com certeza alguns de vocês vão dar nos comentários com o fim de enriquecerem este post com as vossas opiniões...

(A tocar «Menino de Oiro» no Fado de Coimbra de Fernando Machado Soares. Outra versão muito antiga na voz de José Afonso também está disponível à direita: para ouvirem esta carreguem na pausa da 1.ª e depois no play da 2.ª)