terça-feira, 15 de janeiro de 2008

O PRINCÍPIO DA FUSÃO ENTRE O BCP E A CGD

OPINIÃO

Embora a maioria dos portugueses não perceba nada de questões financeiras, a verdade é que a alegada crise no Millennium BCP - o maior banco privado português - fez manchetes nos jornais e foi notícia de abertura muitas vezes em todos os telejornais de todas as televisões durante muitos meses.

Agora parece que a questão chega ao fim com a vitória anunciada do novo conselho de administração do BCP, pessoas saídas exactamente do maior banco público português - a Caixa Geral de Depósitos!

Ora, não é preciso perceber muito de questões financeiras para chegarmos a uma conclusão óbvia: toda esta «crise» foi a pedra de arremesso para a fusão das duas instituições de financeiras, o que dará origem ao maior banco da península ibérica.

Esta foi uma boa estratégia política também: enquanto o cidadão comum andava chateado com os milhões que o BCP andava a perder na Bolsa, os políticos e os gestores pagos a peso de ouro e petróleo folgavam as costas e distraíam a opinião pública - e este não é senão o primeiro passo para a fusão que poderá acontecer daqui a 2 ou 3 anos.

Enquanto isso os portugueses continuarão a pagar taxas de manutenção porque não conseguem ter no banco o saldo médio de 100 ou 250 euros, conforme o acordado. E não conseguem ter esse saldo médio porque os bancos são os donos das famílias portuguesas neste momento - com o aval do Estado, a quem interessa este estado de coisas pois é muito mais fácil controlar cidadãos endividados que cidadãos saudáveis...

Tangas da Silva

10 comentários:

Andreia do Flautim disse...

Pois e, eles arranjam sempre muitas estratégias...

Sol da meia noite disse...

Bem, acho que prefiro incluir-me nessa maioria que não percebe nada de questões financeiras...
E de que vale haver quem perceba? Essa guerra não mobiliza ninguém... apenas os interessados lutam e no fim anunciam o vencedor.

*

Shelyak disse...

Aiii Alexandre!
Um escândalo tanto maior quando a podridão de todo o sistema. Lembro-me de tantos particulares que investiram dinheiro na compra de acções do BCP que, na altura, estavam bem acima dos valores de hoje.
O que é triste é que tudo isto tem a ver com a condição humana, em regra. Realmente, o poder corrompe, infelizmente...
Triste, muito triste mesmo!
Abraço

Mar Arável disse...

No caso concreto a questão

é ainda mais grave pois parece

que o bcp foi solicitado para

favores ao orçamento do estado.

FERNANDA & SONETOS disse...

Olá meu querido Alex, texto muito bom.
Parabéns!
Meu amigo, muitos beijinhos de carinho e amizade.
Fernandinha

Maria disse...

O cidadão comum tá-se nas tintas para os milhões que o BCP estava a perder na Bolsa, por uma simples razão: o cidadão comum não joga na Bolsa.
Não falaste no J.B. (berardo), e se calhar é aqui que ate o ponto. Este, do BCP, e os que virão a seguir....

Beijinhos

Maria disse...

bate o ponto.....
(o teclado é lento, lol)

Lusófona disse...

E como todo fim de história real... o povo sai sempre lesado...

Beijos

Blue Velvet disse...

Percebo um pouquito do que se passa, mas não ao nível do que descreve aqui.
Não me tinha passado pela cabeça essa história da fusão da CGD com O BCP, ou vice versa.
Mas, dê-se-lhe pelo..., ou pelas calças a pouca vergonha é sempre a mesma.
E realmente, o tal do JB anda sempre metido em tudo.
Raio do homem.
Não se poderá exterminá-lo???
Beijinhos e veludinhos

Pena disse...

Amigo Brilhante Alexandre:
Trata-se de uma verdade consumada ou que se consumará: a fusão de um BCP insustentável pelos devedores e perdedor na BOLSA e, uma, um pouco desacreditada, CGD.
Quem beneficia?
Os políticos e afins.
O maior Banco da Península Ibérica estará pronto para se concretizar aos olhos delíciados dos seus gestores, sorrindo de glória e encanto.
Em breve, o investimento dos inúmeros clientes poderá dar azos às imensas aspirações de se tornarem devedores endividados, perante o sorriso atento e embevecido do controle do Estado.
Uma realidade visível e, que, tens razão, entreteve a opinião pública desacreditada e reinvindicativa dos seus inúmeros motivos de sentir uma "Democracia" governamental que tarda em chegar aos seus direitos e ambições de crédito e de felicidade para todas as famílias que sofrem e suam na azáfama do seu viver.

Abraço Amigo com valorosa estima

pena