quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

SOBRE O DESPERDÍCIO DE MEDICAMENTOS


O desperdício dos medicamentos é essencialmente uma questão cultural dos portugueses. E, como se sabe, as mentalidades não mudam por decreto. O CDS/PP apresenta hoje na Assembleia da República uma proposta para a redução da prescrição de medicamentos em quantidade. Se a proposta for aprovada - não o deverá ser - os médicos poderiam passar a receitar unidoses de medicamentos aos pacientes em vez de embalagens inteiras.

A proposta parece interessante, tanto mais que os portugueses são pouco organizados na toma de medicamentos. Logo que o doente se sente melhor põe de lado os comprimidos ou outros medicamentos que lhe foram receitados. Poucos são os que levam à risca os dias e as tomas necessárias, a não ser que dependam do medicamento para a sobrevivência - e mesmo assim muitas vezes «esquecem-se».

Na Europa este tipo de medicamentação apenas se faz na Grã-Bretanha, nos outros países continua a vigorar a receita da embalagem completa. E percebe-se porquê: os grandes laboratórios farmacêuticos são alemães, suecos e franceses, não tenhamos ilusões que uma proposta no sentido de reduzir o número de produção de medicamentos vai contra os poderosos interesses instalados.

Por mim, confesso que todos os anos deito caixas de medicamentos fora, algumas delas até por abrir! Muitas vezes nem sei porque razão foram comprados e a mais das vezes não são comprados por mim - não gosto de entrar em farmácias nem estabelecimentos que tais, a não ser que não tenha outro remédio, mas se entro a farmácias 3 ou 4 vezes por ano é muito!

Com as unidoses por-se-á a questão do manuseamento: é mais complicado gerir pequenas embalagens do que uma grande. E porque razão não se vai para uma solução intermédia? Pequenas embalagens com alguns medicamentos - se o paciente precisar leva uma, duas, três... Fica a sugestão, se bem que ninguém que decide a vai ler. Mas, pronto! E vocês, tomam os medicamentos até ao fim ou também contribuem para o desperdício?

27 comentários:

A Flôr disse...

Boa tarde Alexandre! :)

Engraçado!Ainda agora na hora do almoço, eu e as minhas colegas estivemos a falar do "excesso" de medicamentos que não utilizamos....

Então deitaste caixas de medicamentos fora? Algumas sem nunca terem sido usadas?!! Que pena, tinhas entregue numa farmácia.... era só chegares e entregares.... não te iria ocupar muito tempo!... Poderiam ser reciclados, "destruidos" como deve ser ou então!...

Como faz um amigo meu, farmaceutico, na Margem Sul, que doa a famílias carenciadas, esses medicamentos que são entregues na farmácia... quando alguém com dificuldades vai lá com a receita do médico e não pode comprar porque são caros, ou dizem que levam mais tarde, porque estão à espera de receber o vencimento, ele então, doa esses medicamentos que foram entregues... claro que são medicamentos dentro do prazo e devidamente embalados....

Esta poderia ser uma solução... doar-se os excessos para instituições que deles necessitassem.... será que me expliquei bem? :)

Meu querido, então o nosso Jornal? Hoje mesmo, irei fazer transferência bancária para pagar a minha anuidade de 2008....

Espero que estejas bem :)

Xi-coração apertado de amizade e admiração

Flor

Sol da meia noite disse...

Não digo que a ideia não seja boa. Mas, a concretizar-se, irá resultar na prática?

Beijinho

Bloga Comigo disse...

Queres blogar comigo? Eu quero blogar contigo.

Bjos

Bichodeconta disse...

Penso que cada caso é um caso, e se por exemplo o antibiótico , é importante que seja tomado até ao fim para que faça o efeito pretendido, medicamentos há que não se justificam embalagens tão grandes.. Eu que tenho talassemia , preciso de tomar eternamente , ácido fólico.. logo em casos destes convem que a embalagem seja feita de forma a não ter de andar sempre a correr pró médico...É um medicamento prá vida inteira e isso faz a diferença em relação a um analgésico ou outro medicamento..Depois , todos sabemos que há quem tome medicamentos como quem come rebuçados.. Ai , haja bom senso, mas claro que isto não vai lá com decretos... Por vezes, penso que há idosos e não só, que se lhes fosse dado mais um pouco de carinho e atenção não precisariam de tantos medicamentos.. Mas deve ser um disparate que estou a pensar... Coisas de bichodeconta... Um beijinho, ell

SILÊNCIO CULPADO disse...

Alexandre
Nós temos que lutar contra o desperdício e contra a nossa falta de disciplina. Concordo que o doente só deva comprar a quantidade de medicamento de que necessita.

Luís Galego disse...

é uma questão pertinente e mais do que lógica. Num País de desperdicio, atente-se pelo menos a este factor, que tambêm é um caso de saúde pública.

a.filoxera disse...

Quem nunca desperdiçou medicamentos? Deve ser comum a todos os lares portugueses.
Beijos.

a.filoxera disse...

Quem nunca desperdiçou medicamentos? Deve ser comum a todos os lares portugueses.
Beijos.

Blue Velvet disse...

Olá Alexandre,
acabei mesmo agora de ver o dabate no Parlamento sobre este assunto!
Claro que não passou porque o PS votou contra.
É bem verdade o que dizes sobre a forma como os portugueses utilizam os medicamentos e não é menos verdade que era óptimo que a lei tivesse passado...mas não passou.
É o Governo que temos.
Ainda bem que não os pus lá.
Pelo menos não me sinto culpada.
Beijinhos

Blue Velvet disse...

Olá Alexandre,
acabei mesmo agora de ver o dabate no Parlamento sobre este assunto!
Claro que não passou porque o PS votou contra.
É bem verdade o que dizes sobre a forma como os portugueses utilizam os medicamentos e não é menos verdade que era óptimo que a lei tivesse passado...mas não passou.
É o Governo que temos.
Ainda bem que não os pus lá.
Pelo menos não me sinto culpada.
Beijinhos

Carminda Pinho disse...

Estou de acordo com o que disse a Ell (bicho de conta, neste caso dos medicamentos tem que pervalecer o bom senso.
Cada caso é um caso.
Agora faço eu uma pergunta: -quais seriam os medicamentos que acham, deveriam ser receitados em unidose?

Beijos

Sei que existes disse...

Eu, por norma, se forem antibióticos, tomo toda a quantidade prescrita. Se for qualquer outro tipo, como anti-inflamatórios, anti-histamínicos, analgégicos, vitaminas... nesse caso só tomo mesmo o estritamente necessário.
E acho que deveriam ser vendidas enbalagens apenas com as doses necessárias, ou o mais próximo possível disso.
Tens um prémio lá no Sei que existes.
Beijocas grandes

Kalinka disse...

AMIGO ALEXANDRE
Hoje, convido-te para vires ter comigo e COMEMORAR...

MAS...também...
a minha sobrinha é uma jovem de 25 anos, por isso, peço desculpas, mas sinto que devo colaborar, e faço este pedido:
Não é meu hábito andar a incomodar pedindo favores, mas tendo em atenção a situação da m/sobrinha, que aguarda a todo o momento um «transplante de coração» se puder vá ao blog dela e, responda ao questionário sobre «grupo sanguíneo» ela está a fazer uma sondagem que é muito importante para ela:
http://pikenatonta.blogspot.com/

Qual é o seu tipo de sangue?
Ou seja:
Se seu sangue contém Rh+ você pode receber de Rh+ e Rh-;
Se seu sangue contém Rh- você só pode receber de Rh-;
PS - Coloquei uma sondagem no blog. Agradecia a TODOS que pudessem responder pois não custa nada... MUITO OBRIGADA!!!!!

Beijo c/pitada de Esperança.

Kalinka disse...

quanto ao comentário anterior...se já te tinha dito peço desculpa...é que ando assim a modos que...entendes-me?

Sobre o teu post, BINGO.
Escolhes muito bem os temas que deves abordar, Parabéns mais uma vez.
Alguém fez esta pergunta:
Então deitaste caixas de medicamentos fora? Algumas sem nunca terem sido usadas?!! Que pena, tinhas entregue numa farmácia.... era só chegares e entregares.... não te iria ocupar muito tempo!...
POIS, AQUI TENHO QUE METER A COLHER
já fiz isso 1 x na zona onde vivo e ia com um saco cheio de medicamentos e a resposta que me deram foi:
A Sra. não quer ter o lixo em sua casa e traz para nós ficarmos com o lixo?
Jurei que nunca mais faria o mesmo.
Beijokas.

Kalinka disse...

Eu não digo que não ando bem...
é que hoje é dia de ela ser submetida a um «cateterismo» e estou super nervosa...

MAS, depois fui encontrar a tua resposta:
obrigado pela tua humanidade, podes sempre contar comigo e com o meu blog para acções deste género. Irei lá com certeza e penso que muitas outras pessoas o farão também.
EU SABIA QUE PODIA CONTAR CONTIGO.
Muito obrigado Amigo.

Andreia do Flautim disse...

Eu raramente tenho de tomar medicamentos, se tiver doente tomo o antibiótico até ao fim se me for receitado. Os analgésicos guardo enquanto tiverem validade porque podem vir a ser uteis.

Um Momento disse...

Bem...
Eu que tenh andado adoentada... já nem posso "ouvir" falar em medicação

Nom Post

Beijo grnde ( olha a constipação:D) e bom fim de semana:)

(*)

Bichodeconta disse...

Era o que eu previa, como se diz na minha terra(O ALENTEJO)este tema dá pano para mangas... E coloca-se nova questão: Se os governabtes querem por os médicos a receber á peça,receber confirme o produzido, como se nós fossemos mercadoria, como é que um médico, que precisa do seu dinheiro , naturalmente, se pode estar a dar ao luxo de contabilizar a dose certa para cada caso....Há tanta coisa a mudar!!! Atrever-me-ia a dizer, primeiro que tudo temos mesmo de mudar de mentalidade..Um beijinho Alexandre.. O que soar a disparate grande demais,mete no lixo ehehe

M. disse...

Totalmente de acordo Alex. Infelizmente,além das toneladas entregues nas farmácias em bom estado e dentro da validade, há os disperdiçados no lixo doméstico ou na pia do lava loiça:atitude erradissima devido às contaminações dos lençois freáticos. É bastante triste sendo os medicamentos tão caros e que muita gente com salários modestos nao podem sequer pagar, que se verifiquem estes disperdícios. A solução que apresentas é sem dúvida a mais viável até porque há determninados medicamentos que não sao tolerados e o doente tem de mudar para outros; se se encontrassem em unidoses o problema estaria parcialmente resolvido.
No entanto, unidoses implicam maior despesa para as farmaceuticas: a mesma embalagem para menos medicamentos. O que é que isto nos faz lembrar? Primeiro os custos para eles claro!

un dress disse...

pensei tanto nisso num certo tempo da minha vida...

acho que começa a haver algum controle, a começar pelas receitas serem menores, mas era necessário muitíssimo mais!!

como rever a qualidade de vida das pessoas!! o quanto seriam menos necessários medicamentos! :)



.beijO

gosto-muito-de-voce-leozinho disse...

desperdicio em medicamentos em papel, no dinheiro em tudo.....

Outonodesconhecido disse...

A história dos medicamentos, tem por trás o que mais pesa nas sociedades modernas: o dinheiro
Enquanto as farmaceuticas ganharem milhões haverá sempre desperdício.
Já comecei a ler o livro para apróxima sessão.

Miss Slim disse...

Olá Alex, eu muito raramente tomo medicamentos - Logo não contribuo para o desperdicio:)

Bjo e Bom Fim de Semana :)

Vanda Paz disse...

Não, não me esqueci de ti... mas hoje deixo-te um beijo...

Bichodeconta disse...

Ao invés de medicamentos, o Mundo precisa de colo, de amor, de atenção redobrada... Um beijinho, ell

Gata Verde disse...

Se houver desperdicio não se esqueçam que existe o Valormed (recolha de embalagens com prazo de validade expirado).

Pena disse...

Brilhante e Estimado Amigo Alexandre:
Esta questão dos medicamentos tem que se lhe diga. Passo a referir o que me suscita sobre o assunto:
1º As Farmácias querem "despejar" tudo o que os laboratórios de medicamentos, a que estão submetidas, de forma interessada e paga a bom preço.
2º Os laboratórios têm responsabilidades que os tornam impessoais e com falta de dignidade ou respeito pelos cidadãos. É um jogo de valiosos interesses desmedidos que requerem contrapartidas por vezes insensatas.
3º Há pessoas que fazem tratamentos continuados que adquirindo caixas grandes, dar-lhes-á o conforto e o não retorno em busca de maiores quantidades.
4º Os interesses de origem farmacêutica são elevados e querem suscitar na confiança egoisticamente direccionada para os utentes/clientes certos, que a ela recorrem sem informação, satisfazendo e prestando um mau serviço à Comunidade desamparada e doente.
5º Os interesses Estatais são poderosos e provocam leis que lhe traga o sucesso económico que entra nos seus cofres.
6º A sensibilização dos médicos, por vezes presenteados pelos Laboratórios com valiosas ofertas que os fascina, não os fazem alterar este estado de coisas. Pelo contrário, tudo fazem para que as "coisas" se mantenham como estão para seu próprio usufruto e regalia.
Adorei a tua reflexão, amigo estimado Alexandre.
Espero não ter dito muitas incongruências ou atrocidades do pensamento.
A questão que apresentas é muito pertinente, actual e alvo de reflexão profunda.
Estaremos preparados?
Excelentes sugestões as tuas, dignas e sensatas.

Abraço gigante de estima sincera

Sempre a ler-te com encanto e delícia

pena