quinta-feira, 13 de novembro de 2008

VIOLÊNCIA SOBRE IDOSOS!

A comunicação social hoje fala do aumento de queixas de violência sobre idosos. Um número muito baixo se comparado com a realidade, com certeza! E se a violência sobre os idosos começa na própria família, essa violência prolonga-se - e muito - na maior parte dos hospitais públicos, centros de saúde e em muitos lares de idosos... Algo a que a sociedade portuguesa actual - na sua correria consumista - continua completamente alheia...

Pelo menos uma vez por mês visito um lar de idosos. O lar onde vou m
ais vezes fica na província, tem muitas dezenas de idosos, a maior parte deles da própria vila ou dos arredores - o ambiente é acolhedor, as funcionárias no geral simpáticas, competentes e meigas. No princípio fez-me alguma impressão ver as pessoas de idade sentadas em lugares marcados em pequenos sofás ou cadeirões ao longo das paredes das salas, muitas delas à espera de... nada!

Não é que a vida tenha que ser assim, mas muitos deles na verdade já não têm condições para estarem sozinhos nas suas casas, têm muitos problemas de mobilidade e precisam de assistência quase permanente, e, como se sabe, a vida moderna dos filhos e netos não permite que eles estejam em casa dos familiares - pelo menos ali têm a dignidade possível!

Mas nem em todo o lado é assim: são constantes as notícias de maus-tratos a idosos! Não é novidade: o idoso é o elo mais fraco, são eles as principais vítimas de exclusão social num país onde sempre se maltratou e violentou os «mais velhos»! Ao contrário de outros países, onde os idosos são respeitados (não é preciso ir muito longe, Angola, por exemplo) a migração (da província para as cidades do litoral) e o desenraizamento em Portugal tem provocado situações terríveis onde os mais velhos são vilipendiados, violentados (geralmente pela própria família) numa altura da vida em que o ser humano mais precisa de um carinho...

... Eu sei, fazer uma festa ou dar um beijo numa pele enrugada não é o mais apetecível, mas se pensarmos que ao tocarmos em determinada pessoa mais velha estamos a absorver dela décadas de sabedoria vale a pena, podem crer que vale a pena... é por isso que não tenho coragem de substituir talvez a foto mais importante que jamais fiz e que é aquela que está no cabeçalho do meu blog UMA FOTO POR DIA. E tenho muita pena de não ter nada semelhante dos meus avós. Consola-me o facto de ter sido a última pessoa a fazer fotografias deles, mas não me chega, dava tudo para que eles estivessem aqui...


E, vocês, conhecem casos de violência
ou de maus-tratos a idosos?


15 comentários:

Andreia do Flautim disse...

A minha mãe trabalha num centro de dia e faz assistencia ao domicilio.

Ainda na semana passada morreu um velhinho, que estava acamado pois o senhor estava a sentir-se muito mal, não estavam a conseguir alimentá-lo (o senhor comia por uma sonda) e a família recusou-se chamar a ambulância para não terem de pagar. E ainda tinham a coragem de dizer à frente dele: para quê chamar a ambulância, se ele vai morrer?
Nessa altura o senhor ficava ainda mais nervoso. Acabou por morrer nessa noite... =(

mulher disse...

És lindo, tens um coraçao do tamanho do mundo.!!!!!!!
Obrigada, muito muito OBRIGADA.
grande xi-coraçao.

Alexandre disse...

Andreia,

essa história chocou-me imenso e vieste dar um testemunho muito importante daquilo que algumas famílias (não) fazem pelos seus membros mais velhotes. Incrível!!!

Obrigado!!!

NiNa disse...

Concordo com muito do que aqui referes; só discordo num ponto...os hospitais públicos, e talvez por tarbalhar num deles, não são locais de maus tratos a idosos, mas antes verdadeiros "depósitos" de idosos! Claro está que em termos de profissionais, não garanto que todos os tratem com meiguice...há bons e maus funcionários em qualquer lado; mas o problema está em que os hospitais não são instituições vocacionadas para o acolhimento a longo prazo mas sim de "passagem"...tenho muita pena que no nosso País se valorize tao pouco os mais sábios, mas talvez o ideal fosse criar mais unidades de cuidados paliativos ou mesmo de lares, porque a par de cuidados por vezes diferenciados de saúde, eles precisam, tal como as crianças, maioritariamente de carinho e atenção;
Por outro lado, acho que o adulto dito "activo" (expressão que tanto se gosta de usar) também não é assim tao apoiado no que diz respeito a apoio familar: as baixas de assitência à familia são o que são, e além disso têm de "arcar com a responsabilidade económica" de filhos dependentes (estuda-se durante mais anos), pais dependentes (desde simplesmente afecto às dependências totais), carreiras (muito cuidado ou se fica sem emprego), relações conjugais a desmoronar-se (nem sempre temos o devido apoio no parceiro que escolhemos) e desequílibrios hormonais (q acarretam verdadeiros turbilhões de emoções)!
Sinto-me realmente decepcionada com esta realidade, com a qual lido, e contra a qual me sinto desoladamente impotente...e só rezo para ser uma felizarda quando chegar a minha vez!

Sol da meia noite disse...

Tudo isto choca por demais.
Mas tu sabes que o alvo dos fortes e maldosos são os fracos e desprotegidos...

Beijinho *

alfazema disse...

Olá
Como vai?
Sou a sua companheira de mesa no casamento do Pedro Barroso.
Tenho vindo aqui espreitar e hoje resolvi mandar um olá
EP

BlueVelvet disse...

Não conheço nenhum caso, mas sei que os há.
Felizmente na minha família os nossos idosos são muito amados.
Beijinhos

Duarte disse...

Lamentavelmente é uma realidade candente. Chegamos a uma idade que estorvamos e somos "atirados" para um lar donde não se conhece a ninguém. Numa etapa da vida donde o que menos importa é fazer amigos e o que mais reconforta é o calor familiar.
Ser velho é um orgulho, é o reconhecimento da vida a uma trajectória digna, merece ser compensada.
O meu apoio incondicional a esta causa.

Saudações

mariam disse...

Alexandre,
conheço um caso macabro, ainda por cima deu-se com pessoas que conheço e que nunca me passaria p'la cabeça capazes de algo assim... meus pais foram a um velório do pai de uns amigos, na zona de Castelo Branco durante o mesmo, já a noite ia longa, à pergunta sussurrada de minha mãe "então mas como aconteceu? ele andava tão bonzinho!??..." a resposta pronta da filha do falecido, senhor de proveta idade, " olha, foi ontem à tarde, assim de repente...tás a ver, em lisboa ainda por cima, olha, resolvemos trazê-lo nós mesmos, era um disparate pagar a uma agência funerária! quando chegámos dissemos que faleceu no caminho..." minha mãe horrorizada, pergunta "...mas como?!" "ora,sentado, ao pé de mim..."
Alexandre, não parece mas foi verdade, e estou a falar de pessoas com capacidade económica acima da média, e supostamente boas-pessoas! por vezes pergunto-me se o facto de ambos os filhos(as) serem enfermeiros... lhes deu aquele sangue-frio... enfim... Alexandre não é uma estória de maus-tratos a idosos em fim vida, mas já em mortos...

depois conto uma estória boa de velhinhos, que tanto prezo e que sempre me emocionam!

bom fim-de-semana
um sorriso :)

mariam

argumentonio disse...

o ponto é forte e oportuno!
velhotes somos todos, se lá chegarmos, e teremos o mesmo trato ou pior se não cuidamos de alimentar o principio de solidariedade intergeracional que respondeu até hoje pela continuidade da espécie humana - de que fazemos todos parte e de que somos mais um elo interdependente!!
mas é bom lembrar que a institucionalização (de menores, de idosos, enfim..., de todo o cidadão com necessidades especiais) nunca substitui completamente o modelo que emula, a Família, em união e harmonia, poderosa fonte de laços de amor desde o berço até ao fim da vida!!!
e alguém acredita que há cimento mais forte que o do afecto e do amor ?

Violeta disse...

Sobre os lares (de lar/casa não têm nada)teria muito que dizer. SO meus pais morreram ambos num lar. O lar onde esteve o meu, apesar de simples er amuito humano. Onde esteve a minha mãe, naõ vou falar. Essa é uma história muito amarga na minha vida.
bjs e obrigada pelo post

Filoxera disse...

Amigo, como sabes tive um calvário de muitos anos, durante os quais conheci uns lares. Alguns -poucos- recomndáveis; a maioria, a deixar a desejar. Mas o pior são aqueles que são mesmo "rascas", por vezes até sem que as famílias se apercebam. Tenho histórias ainda muito presentes. Por me serem dolorosas ainda, não vou descrevê-las aqui; é ferida que não sara...
Beijos.

Bichodeconta disse...

Infelizmente todos conhecemos alguém que é maltratado.. Idoso, com pouca mobilidade , ainda há pouco fiquei estupefacta por ver a expressão de alivio de uma filha..Senhora de vida confortável, ia semanalmente á casa da mãe e desgraça das desgraças tinha a mãe não tinha meios económicos para o seu sustento.. Um dia ouvi esta:Ainda por cima é gulosa,Gosta de iogurte com pedaços , não se contenta com os de aromas, e a manteiga, todos os meses uma caixa de manteiga, e por ai fora..Isto dizia a senhora , falando da própria mãe..Fiquei sem palavras, porque no dia em que a mãe morreu, o desabofo foi de alivio.. Idoso é uma enciclopédia , há sempre tanto a aprender com eles.. Tal como o reumático, gosto de idoso e nutro por eles o maior respeito..Um bom final de semana..Beijinho, Ell

elvira carvalho disse...

Meu pai tem 90 anos e este ano a saúde dele tem estado muito fagilizada.
Minha mãe tem 83 e há 25 anos está paralizada, devido a um AVC. Sempre tenho cuidado deles. Desde Julho os meus prolemas de saúde agravados por duas cirurgias, impedem-me que cuide deles. Meu irmão trabalha e vive em Rio Maior. Pois pediu licença e veio cuidar deles até que eu possa voltar.
A vida está muito difícil, mas eles deram-nos a vida. Temos que os cuidar com o mesmo carinho e cuidado com que eles cuidaram de nós outrora.
Não tenho conhecimento de maus tratos a idosos, a não ser os que dá na TV ou veem nos jornais.
Um abraço e bom fim de semana

Gata Verde disse...

Felizmente não!
Adoro as minhas "meninas" de 88 e 84 anos...avózinhas lindas!

ps:a tua foto é uma ternura.

beijinhos