segunda-feira, 27 de outubro de 2008

ERRO DE MEDICAÇÃO MATA 7000 PORTUGUESES POR ANO!


Li e ouvi a notícia várias vezes e quase não queria acreditar! Depois, baixei à Terra e decidi dar o meu contributo para o fenómeno: é certo, como desvaloriza o Bastonário da Ordem dos Médicos, que é muito difícil de detectar números exactos da chamada «negligência médica», mas que há por esses hospitais fora muitaaaaa negligência e muitaaaaa incompetência, há! E assim morrem em média 20 portugueses por dia... para não falar dos muitos que sofrem mazelas de várias naturezas!

Um treinador de futebol pode falhar na táctica e a sua equipa perder! Acontece! Ninguém morre por isso! Um contabilista pode enganar-se nas contas! Acontece! Ninguém morre por isso! Um advogado pode errar nas suas »advogações»! Acontece! Ninguém morre (a não ser que seja condenado á cadeira eléctrica!) por isso! Um médico (não!) pode enganar-se na prescrição de medicamento! Acontece (mas não devia acontecer!)! Alguém morre por isso!

É a diferença da Vida e da Morte! Um médico lida com as fronteiras do sopro humano, ao contrário da maioria das profissões! Por isso, os que são médicos em princípio são os melhores cidadãos - ou deveriam ser - são os mais inteligentes... Talvez agora seja assim, mas nem sempre foi assim: muitos dos médicos que estão agora com 50 anos entraram em Medicina na onda facilitista do pós-25 de Abril, alguns com médias muito baixas e com pouca ou nenhuma vocação! Pelo que sei são alguns desses médicos que estão cometendo os maiores erros médicos da actualidade. Alguns porque nunca encontraram a vocação, outros porque o «sistema» os torna fornecedores de «cuidados de saúde» a metro! Eu próprio podia ter entrado em Medicina em 1978 - tinha nota para isso - mas a falta de vocação levou-me a... comunicação!

Há uns anos um familiar meu foi vítima de uma médica de família que lhe incutiu doses maciças de ferro durante anos! Por teimosia! Por negligência! Por ignorância! Chamem-lhe o que quiserem! A verdade é que ninguém pode levar ferro durante tantos anos seguidos! É básico! Outra médica de família nunca deixou que outro familiar meu consultasse outros médicos, nomeadamente médicos geriatras! Resultado: esse meu familiar acabou por sucumbir, talvez muito mais cedo que aquilo que o «destino» lhe reservava! E tenho conhecimento de outros casos pela comunicação social, pelo que se ouve nas ruas e noutros locais públicos!

É sabido que os mais velhos tremem de medo quando baixam a um hospital público! E têm razões para isso: não basta só o terror de estar doente e ter uma idade avançada, como muitas vezes os mais velhos são violentados e humilhados na praça pública: o pai de um amigo meu foi várias vezes algaliado nos corredores das urgências do Hospital de Almada, com a maior falta de respeito pela dignidade e pela privacidade... e eu não sou a pessoa certa para falar destas coisas porque o meu conhecimento é restrito - felizmente - nesta área, mas acredito que haja histórias em hospitais que fazem os filmes de terror parecerem brincadeiras de crianças...

9 comentários:

Bichodeconta disse...

Este tema Alexandre daria pana para mangas..Muita gente nem sonha o que se passa a nivel hospitalar e não só..Por exemplo nos Lares as coisas por vezes são iguais ou aonda piores se piores é possivel ser.. Se grita leva mais um calmante, felizmente isto nem sempre é verdade, nem todas as pessoas agem assim, mas que há quem faça, ai isso há.. No fundo o problema dessa pessoa idosa resolvia-se com uma pequena conversa, um afago, um carinho de que por vezes estão tão carentes..A medicina devia continuar a ser um sacerdócio, ou não resulta..Tens muita razão, e esta alerta é muito pertinente..Obrigada pela partilha..Um abraç, ELL

hiltom disse...

Penso que a medicina em POrtugal vai de mal a pior.Sei bem que na altura do 25 de Abril foi uma óptima altura para os maus alunos através de exames adoc conseguirem entrar em cursos superiores. Nessa altura,como é sabido, havia muito poucos cursos, comparados com a imensidade que agora há. Medicina sempre foi uma profissão muito procurada,pois já nessa altura, ela permitia usufruir não só de estatuto mas também de bons recursos monetários.Daí nem todos os formados nessa altura o terem sido por verdadeira vocação ou com verdadeiras aptidões. Um bom médico deve ser também psicólogo.
Cada vez há mais "importações"de outros países. Aparecem por cá apenas para estagiarem.Muitos deles nem português falam.Os doentes que os tentem compreender. Ora, se eles não percebem do que o doente se queixa, como podem passar a receita adequada?.Se eu vou queixar-me do estômago e trago um remédio para curar a queda do cabelo...A eles não llhe exigem os tais 19 ou 20 valores de média de curso. Para eles, qualquer 10 (dézito) já serve. Tem canudo! É estrangeiro! É uma mais valia!
Puro engano!
Depois, mal apanham o estágio feito, ala que lá vão eles!
Isto para não falar dos nossos bons estudantes, que não se imaginam noutra profissão senão para esta para a qual estão verdadeiramente vocacionados e que vão tirar o curso para a Rep.Checa.
Esses,acabam mesmo por ficar depois por lá. Não querem regressar a um país que lhes negou a possibilidade do acesso ao ensino da área que sempre quiseram.
E depois, com o fecho de hospitais, centros de saúde e maternidades, o melhor é não adoecermos mesmo, sob pena de não sermos tratados.
boa semana

Filoxera disse...

Eu conheço casos e casos...
Infelizmente.
Beijos.

Sol da meia noite disse...

Muito disseste... muito mais haveria a dizer...
Este assunto está em actualização a cada minuto que passa.
Os hospitais são um mundo do qual só tem conhecimento quem por lá passa...

Jinho *

margusta disse...

Olá Alexandre!...

Meu amigo , pouco tenho andado pela blogoesfera , mas vejo que o teu Fundamentalidades , continua sempre interessante , como não podia deixar de ser.

Ao ler este teu post tb eu me assustei..o número é realmente assustador!!!
Ocorreram-me vários casos á memória, de que tenho conhecimento de familiares e amigos, inclusivé o do meu pai passado no Hospital de Almada...

Recentemente coma minha sogra no corredor do HGO, aplicaram-lhe uma injecção e viraram costas..valeu-lhe o flho que estava na visita,...pois ela ficou-seeeeeeee de olhos arregalados, depois de um gemido ...foi ele que chamou a enfermeira para a socorrerem a mãe..e vá lá conseguiram recuperá-la...se o filho não estivesse ali, tinha sido o seu fim...e nunca saberiamos o que tinha acontecido!
Eu chego a ter medo de medicamentos, tenho sempre muito cuidado antes de os tomar.

Um beijinho de saudades para ti Alexandre e o resto de uma boa semana!

Andreia do Flautim disse...

É realmente muit triste. Horas antes da minha avó falecer, tinha umas manchas vermelhas no corpo, foi às urgencias e a médica que lá estava deu-lhe uma injecção sem lhe perguntar nada... Quando o meu avô lhe disse que a minha avó era diabética, a médica ficou branca...

Horas depois a minha avó morreu...

SILÊNCIO CULPADO disse...

Alexandre t

Também li a notícia que mais tarde apareceu desmentida. O que é facto é que se verifica uma grande ligeireza na forma como os médicos prescrevem certos receituários.
E não são só os idosos que sofrem.
Numa consulta de rotina, que fiz há tempos, o médico depois de me admoestar por não estar sempre a fazer prevenção, disse-me que eu tinha a tensão arterial demasiado alta. Olhei-o perplexa porque a minha tensão arterial sempre foi para o baixo mas o médico não quis saber e deu-me uma injecção para baixar a dita tensão arterial.
O que me valeu foi ir para casa acompanhada porque me senti tão mal que tive que ir de urgência a um posto de saúde. A minha tensão arterial estava nos 7-4. Por pouco não batia a bota. E isto é só um exemplo entre muitos que poderia contar.
Abraço

Anónimo disse...

Só para dizer que sou médico há 29 anos, já cometi muitos erros , e ainda irei cometer muitos mais.
Estudos sempre revelaram que o erro médico existe pelo simples facto de que o médico é um ser humano e por isso erra!...
Não convém confundir erro com negligencia , são coisas muito diferentes...
Já agora, por acaso, quem comentou sabe quantas pessoas morrem por ano em consequencia de medicação não prescrita,e que é fornecida nas farmácias, sem receita médica?
E quantas morrem porque não cumpriram a prescrição ?

Pekenina disse...

Boas! Este tema diz-me muito. É verdade, sim, que os Hospitais Públicos Portugueses andam mal. Muito mal. Já me deparei com situações que acho incocebíveis (falta de camas para doentes REALMENTE necessitados, etc) e SEI que as coisas estão cada vez piores. Concordo que acontece os médicos passarem receitas sem por vezes avaliarem um todo de circunstâncias (preços dos medicamentos vs qualidade, nível sócio-económico dos doentes, tudo isto é suposto ter-se em causa aquando de uma prescrição e consegue ser ignorado facilmente.) Não, os médicos não são santos nenhuns e ainda hoje acho que quem entra para medicina não tem necessariamente que ser inteligente, mas o "Anónimo" tem razão em algumas coisas: os médicos são humanos e, como tal, também erram. Também é verdade que existem aquilo a que chamamos de "maus doentes" que não seguem o que lhes foi indicado e que muitas vezes se auto-medicam. É difícil trazer números reais de quantas pessoas realmente morrem por negligência. Numa coisa concordo contigo: a maioria dos médicos DEVE ter em atenção o TODO do doente e não só a parte clínica o que hoje em dia é difícil ver-se. Acabo este meu comentário com uma frase que um dia um médico me disse: "Todos nós (médicos) têm si um cemitério. O objectivo é tratarmos uma cidade e o nosso cemitério ser o de uma aldeia"

Beijinho (e desculpa a extensão do texto),
Pekenina